sábado, 16 de abril de 2011

As 7 melhores séries de TV da História

Há uma frase muito refinada e de sabedoria profunda que diz: "opinião é que nem bunda: todo mundo tem a sua"...pois é, a lista reflete apenas a minha opinião das séries que já assisti. Ainda sim faz-se necessário alguns esclarecimentos. Por ex, não me lembro de ter visto uma febre tão estrondosa quanto Lost - na época, conheci muita gente literalmente viciada. Mas eu nunca vi um episódio de Lost, então não dá para estar na lista, assim como a maioria das séries que existe, porque não as vi. Em quase toda lista de melhores seriados que já se fez em revistas ou jornais americanos, Simpsons sempre aparece em primeiro ou, pelo menos, nos primeiros lugares - do ponto de vista de conteúdo, também apareceria na minha, mas é mais um desenho do que um seriado. Não teve o desafio de escolher atores e estar exposta à atuação (brilhante ou medíocre) que esses atores teriam por cada papel - então também excluí da lista. Um exemplo característico dos critérios da lista é a série "two and a half men" - dificilmente consigo achar um episódio desse seriado ruim. Mas é uma série mais recente, os temas, embora sempre bem explorados, são meio repetitivos - dei importância a uma certa universalidade. Bom, chega de enrolation, em cada seriado eu também tento me lembrar de algum episódio que me marcou muito.

7 - Seinfield
Quem nunca viu esse seriado, se pegar aleatoriamente um episódio para assistir provavelmente achará um tanto sem graça - mudou muito a dinâmica desse tipo de seriado. Mas além de Jerry Seinfield ter sido o precursor de um determinado tipo de humor na televisão americana, conseguiu fazê-lo com muita simplicidade, com temas do cotidiano, com a dinâmica dos personagens que, afinal, eram pessoas muito parecidas com qualquer um que a gente conheça. Quando se conhece um pouco dos personagens, qualquer episódio de Seinfield torna-se engraçadíssimo...lembro-me de um em que o personagem George Constanza está tendo problemas para sair com mulheres, e aí o pessoal acaba tentando ajudá-lo, dando confiança para falar com mulheres nos lugares - é bem engraçado!

6- House
O que começou como um trama apenas em volta de um médico prepotente amalucado conseguiu-se firmar como um seriado de altíssima qualidade, em vários aspectos. Claro, o personagem de Hugh Laurie - e a sua atuação - é 60% da coisa, mas não é só isso; há as discussões médicas, que para quem gosta - e para leigos como eu - parecem bem embasadas; há toda uma discussão, por conta da história dos pacientes ou dos próprios médicos que compõe a equipe de House a cada momento, sobre as verdadeiras razões do comportamento humano. E House pode ser um verdadeiro soco no estômago com suas opiniões e posicionamentos - egoístas, arrogantes, mas nem por isso menos verdadeiros...vários episódios são fantásticos, mas ressalto 2: o episódio onde descobrimos daonde vem o problema da perna dele, e o episódio onde um paciente entra na sala de diagnósticos e dá um tiro no House (claro, ele não morre...).

5- Boston Legal
No Brasil não é dos seriados mais conhecidos - eu mesmo conheci recentemente por indicação de uma pessoa próxima. Mas logo que conheci devorei as 3 primeiras temporadas rapidamente. É o dia a dia de um escritório de advogados em - óbvio - Boston; os julgamentos e as questões jurídicas são pano de fundo para discussão de grandes problemas americanos - as guerras, republicanos x democratas, direitos de expressão, tolerância religiosa etc - e os dramas pessoais dos personagens. Tudo permeado com humor - que as vezes chega a ser pastelão, mas uma vez que você se habitua, passa a ser bem engraçado. Os episódios de final de temporada costumam ser em outras cidades, e são sempre muito bons; fora disso, tem um que Alan Shore e Denny Crane vão pescar que é simplesmente hilário!

4 - Married with Children
Bom, quem não conhece Al Bundy está perdendo a sabedoria de uns dos grandes sábios desse mundo eheheh...para os mais modernos, é o mesmo ator de Modern Family, casado com a cubana. Certamente esse tipo de humor e sátira ao american way of life inspirou depois os Simpsons - produzido pela mesma Fox; essa série de tv talvez tenha sido a primeira a adotar esse tipo de humor ácido e crítico a sociedade americana. Isso tudo a parte, o seriado é muito engraçado! Os atores caíram muito bem nos seus personagens, desde os fillhos do casal Kelly e Bud e até os vizinhos! Bom, faz quase 25 anos que a série foi lançada, então todo o cenário, as imagens, as roupas, está tudo muito diferente de hoje; ainda sim vale muito a pena. São muitos episódios muito bons e não lembro de quase nenhum inteiro, mas aquele que o Bud tem um clube de amigos que são apertadores de seios é de rolar no chão de tanto rir (para homens em especial, mulheres certamente acharão uma bobajada sem fim!)

3- 24 horas
Ok, Jack Bauer é uma mistura de Mcgyver com Capitão Nascimento, e o tema, no final das contas, é aquele ideal republicano - uma guerra americana contra o terrorismo que se utiliza de métodos nada ortodoxos (o fato do seriado ser produzido pela Fox já é algum indicativo...). Mas ainda sim, é do car*!! A proposta totalmente inovadora de fazer um seriado em "tempo real" (cada episódio da temporada de 24 episódios é uma hora em um dia) dá muito certo e não enjôa; também houve inovações nas câmeras, nos enquadramentos (como naquelas montagens onde você vê quatro cenas ao mesmo tempo). Poderia ficar repetitivo e sem graça, mas não fica - os temas se renovam, e quase nunca as coisas dão certo - as pessoas morrem, os terorristas tem sucesso em algumas ações, os bonzinhos nem sempre são bonzinhos e assim por diante - de modo que você não sabe o que esperar, mesmo. Não se discute nada, é a ação pela ação - ainda sim, é muito bom. É difícil apontar um episódio porque cada um é diretamente conectado a história na qual está encaixado, mas o último episódio da primeira temporada é marcante - talvez porque lá você tome a primeira grande porrada e pense "bom, então esse seriado é assim mesmo?" eheheh

2 - Anos incríveis
Esse, então, é indiscritível de bom, para quem gosta de drama. Os caras conseguiram, com uma sensibilidade sem fim, transformar a supostamente ingênua vida de um pré-adolescente no cenário ideal para discussão dos maiores dramas da nossa vida: relacioamento amoroso, familiar, com amigos, medo de rejeição, desejo de agradar etc etc etc. Sem apelar, com recursos simples, ótimas atuações, questões muito complexas são tratadas de forma magistral. É um p* seriado, daqueles que dificilmente consegue se repetir. O episódio que o Kevin vai no escritório do pai deve fazer muito adulto pensar muito - embora eu tenha assistido enquanto ainda estava no colégio...

1- Friends
Não dava para não ser o primeiro da lista..Podia perder para algum outro em algum aspecto específico, mas na soma ganhava de longe! São 10 temporadas de um seriado muito bom, em alto nível (embora as últimas temporadas já estivessem um pouco sem graça), com ótimos roteiros, ótimos personagens, atores que se encaixaram perfeitamente nos seus papéis. É de longe a série que mais assisti - há episódios que sei as falas de cor. E marcou uma época também, uma geração, um certo estilo de ser - embora fosse uma série de comédia, os conflitos que eles viviam podiam ser vividos por qualquer um. Quem não conhece, alugue ou baixe a primeira temporada, mas já aviso - arrume tempo para assistir, aos poucos, todas as outras, pois você vai viciar. Difícil escolher episódios, mas lembro de ter caído no chão de rir da primeira vez que assisti o episódio onde o Joey assume a culpa por uma série de coisas que acontecem para ninguém saber que a Monica e o Chandler estão dormindo juntos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

De quem é o dinheiro público?

Tem uma frase, que já ouvi há muito tempo e mais de uma vez, que diz mais ou menos assim: "Nos países desenvolvidos, o que é público é de todo mundo; nos subdesenvolvidos, o que é público não é de ninguém". Isso se traduz em uma atitude com as coisas públicas: se é de todo mundo, também é meu, então eu cuido, vigio, uso com responsabilidade, assim como faço com todas as outras coisas que são minhas; se não é de ninguém, eu não estou nem aí, e se for usar, uso sem cuidado, sem preocupação, como um saqueamento em uma região abandonada ou num caminhão caído à beira da estrada...

Em que tipo de pensamento geral em relação à coisa pública nos encaixamos no Brasil é desnecessário dizer. Mas isso tem uma repercussão ainda mais trágica quando se trata do dinheiro público. Acho que há uma sensação geral de que aquele dinheiro não é de ninguém, ou é do Estado, governo, como se essas instituições fossem algo que existissem por si mesmas. Por ex, quando nos indignamos com o salário dos deputados, minha sensação é de que existe mais um pensamento na linha de "p*, o cara ganha tudo isso enquanto eu ganho muito menos?" do que algo do tipo "p*, esse dinheiro tá saindo do meu bolso!!".

E uma coisa que, se não é causa, ajuda a manter esse comportamento, é a falta de percepção clara do quanto o imposto pago é dinheiro a menos na sua vida, dinheiro retirado pelo governo do seu bolso que poderia estar sendo usado por você para uma condição melhor de vida. Há pequenas situações onde essa indignação aparece: quem tem carro e paga ipva costuma ficar p* de pagar esse imposto e ver que pouca coisa é feita para melhoria das vias públicas; quem tem apto e paga iptu também sente coisa parecida. Mas é um sentimento nem tão intenso e que atinge apenas uma parcela da população. Uma coisa que poderia ser mais forte para estimular essa sensação é o imposto de renda. Mas pensa só: a população economica ativa brasileira é de 50%. Desse universo, há 10% de desemprego e apenas 50% dos empregados tem emprego formal - que pagam imposto. Dos que ganham salário formal, apenas os que ganhem, digamos, acima de 3 mil, sente efetivamente um volume de dinheiro sendo retirado de si (a isenção do IR vai até 1,5 mil, e alguém que ganha 2,5 mil, por ex, paga menos de 4% de IR sobre a sua renda, pouco para sentir alguma diferença...) - se considerarmos as diversas regiões do Brasil, e vários setores de trabalho, como chão de fábrica, serviço, saúdes, é até conservador estabelecermos que só 50% ganham acima de 3 mil (meu palpite é que é bem menos de 50%). Tudo calculado, pouco mais de 10% da população brasileira conseguem sentir diretamente o efeito do imposto de renda sendo subtraído mensalmente das suas receitas! O maior efeito do imposto na nossas vidas é o preço dos vários itens que consumimos que estão sempre majorados pela carga de impostos que foram incidindo ao longo da cadeia produtiva.

Uma coisa que poderia ajudar é se tívessemos alguma metodologia semelhante aos Estados Unidos: a cada coisa que você compra, você sabe claramente o quanto é o valor do produto e o quanto é o imposto. Em média, pagamos 40% de imposto; imagine que na sua passagem de ônibus, você estivesse sendo sempre lembrado de que dos 3 reais, 1,20 é imposto? Do pf de 8 reais na padoca, 3,20 é imposto? Do aluguel de 1000 reais, 400 reais é imposto? (no caso do aluguel, o imposto não é direto porque provavelmente o valor é cobrado por um particular; mas se entendermos que o custo total da economia está majorado em 40% por causa dos impostos, é de se imaginar que o dono do imóvel poderia cobrar 40% a menos). Acho que a lembrança diária de quanto dinheiro poderia sobrar para você caso os impostos fossem menores seria muito benéfica para que todos sentissem, quando o noticiário da tv anunciasse "deflagrada operação da PF contra corruptos que desviaram x milhões" todo mundo se indignasse e pensasse "FDPs!! tudo na minha vida é bem mais caro para esse bando de fdp me roubar desse jeito???"

O Brasil é um dos países do mundo com a relação custo x benefício para o contribuinte mais injusta. A Suécia tem o nível de tributação parecido com o nosso, mas o sistema educacional, de saúde e de suporte social é infinitamente melhor. A China tem sistemas de educação e saúde públicos piores do que os nossos, em geral, mas pelo menos o cidadão paga menos de 20% de imposto. O Brasil consegue aliar a alta carga tributária Sueca a um padrão chinês de baixa qualidade de serviços. E a gente tá cag* e andando para isso...toda vez que escuto coisas do tipo "governo pensa em criar estatal para cuidar do trem bala" eu só consigo pensar que devemos estar muito anestesiados, pois a indignação geral é um décimo do que deveria ser.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Planejamento financeiro

Eu não costumo ler colunas de jornal ou prestar atenção em participações especiais em rádio ou tv desses consultores financeiros; geralmente eles não falam nada que a gente já não saiba, ou pior, inventam alguma coisa totalmente sem sentido ou sem utilidade prática. Por força das circunstâncias, assisti uma pequena palestra dum famoso consultor chamado Gustavo Cerbasi, e acabei lendo um livro dele. Foi a primeira vez, que eu me lembre, de algum consultor ter falado algo diferente e que fizesse, para mim, muito sentido.

Não, ele não nega a premissa de que é preciso guardar dinheiro - e, para isso, é preciso gastar menos do que se ganha. Mas uma coisa que me chamou a atenção foi a maneira que ele propõe de organização de gastos que, além de diferente do que costumeiramente consultores financeiros propõe, era algo que eu fazia instintivamente. Primeiro, para começar, é preciso estabelecer o quanto se quer guardar por mês. Até aí, nenhuma novidade, inclusive na dificuldade de colocar em prática - a gente costuma ver quanto "sobra" no final do mês, e não determinar que se quer guardar x% do que ganha...mas vá lá: assim como outros consultores, ele propõe que, quem tenha dificuldade de disciplinar-se a guardar aquele valor, assuma um compromisso mensal - como a prestação de um apartamento ou de um consórcio de alguma coisa - de modo que, assim que o dinheiro caiu na conta, aquela parcela já saia automaticamente.

E aí vem a inversão interessante. O mais comum de fazermos é "começarmos" a estabelecer os nossos gastos por aqueles chamados gastos "fixos", estruturais - casa, carro etc. Tomamos esses gastos meio como dados - "ah, gasto x com o apartamento, mais y com o carro..." - e, o que sobra, fica para as coisas do lazer. Ele propõe a inversão da ordem dos gastos - que, depois de se ter "guardado" o percentual determinado, estabeleça-se o quanto vai se gastar (mais ou menos) com seu lazer primeiro - saídas, compras etc, e aí acomode-se os gastos fixos com o que sobrar. Antes de analisar isso mais a fundo, eu entendo que há importantes motivos para essa inversão.

O primeiro é quantitativo: gastos com estrutura geralmente são muito mais significativos - de modo que alterações desse tipo de gasto apresentam mais diferença. Por ex, há uma conta de que a gente gaste, em média, 2% do valor do carro por mês (em seguro, ipva, depreciação, custo do dinheiro que poderia estar investido, manutenção, as vezes garagem adicional, sem contar gasolina, apenas gastos ligados ao simples fato de ter o carro). Então, se você tem um carro de 40 mil reais, em média você gasta 800 reais por mês com ele. Os gastos para morar dessa pessoa, então, devem ser bem maiores do que isso...O tamanho da diferença que um alto ou um baixo gasto nesses aspectos pode produzir é grande se comparado a gastos de lazer (sem exageros), onde a diferença de alguma alteração pode não ser tão significativa. O segundo aspecto importante é a sustentabilidade de certos cortes de gasto. Tem aquele exemplo conhecido do cafézinho: se você deixar de tomar aquele café da tarde, que custa 2 reais, em dez anos você terá economizado 8 mil reais. Ok, mas quanto isso te custou em qualidade de vida, se esse é o momento que, toda tarde, você sai para descontrair um pouco, conversar com os amigos? Será que isso não afetará até a sua produtividade, podendo te prejudicar muito mais financeiramente? Embora sempre haja espaço para cortar gastos eventuais com lazer, há sempre o limite da sustentabilidade: será que aquele nível de consumo tão baixo é sustentável a longo prazo, sem te enlouquecer? Porque o que acontece é que pensamos "ah, mas se eu só gastar X com lazer, vai sobrar alguma coisa para guardar"; só que aí você compra uma roupa que viu, alguém te chamou para ir em algum lugar mais caro, faz 3 anos que você não sai de férias e...bum! lá se foi o que você ia guardar...O que nos leva a um terceiro motivo: uma mudança de padrão em um custo fixo (para cima ou para baixo) é uma mudança para todos os meses - aquele dinheiro sobra ou falta todo mês. Um corte em um gasto de lazer (por ex, não sair naquele final de semana) produziu um efeito específico naquele mês, mas para o efeito ser repetido, no próximo mês você deverá fazer o mesmo sacrificio.

Claro que não tem mágica; ele não sugere, então, que não haja controle ou parcimônia nos gastos com lazer, sem o que não há planejamento financeiro possível. Outra coisa óbvia mas que não custa falar é que esse tipo de lógica se aplica às pessoas cuja situação financeira permite algum tipo de arranjo - o trabalhador que ganha salário mínimo e mal consegue por comida na mesa é outra história. Mas ainda sim gostei da lógica que ele propõe que, como falei, pareceu-me bem destoante daquele coro velho e batido dos consultores financeiros...

sábado, 26 de março de 2011

BBB - texto do Rica Perrone

Há algum tempo eu queria escrever algo sobre o BBB; até esbocei, mas não foi muito longe. Agora o Rica Perrone escreveu um que, bem, era bem o que eu queria dizer ehehhe...apenas um adendo quanto aos "metidos a intelectuais": eu conheço pessoas que não perdem tempo com bbb porque, realmente, interessam-se por coisas com mais conteúdo. Mas na maioria das vezes as pessoas com o discurso que ele cita no texto realmente perdem tempo com coisas até piores...bom, segue lá:

O BBB que eu queria
Como a maioria, vejo o BBB sempre que possível. E gosto. Não, não farei o tipo de dizer que “é um lixo” pra assistir escondido.

Dizem os metidos a intelectuais que é um programa “sem conteúdo”. Eu nem acho tanto assim. Mas concordaria, porém, se alguém me falasse que é um programa repetitivo.

Toda edição a gente vai ver os 14 pra saber se tem conhecido. Não tendo, assistimos de vez em quando e ficamos sabendo o que rola pelas chamadas da Globo e capas de todos os portais web do país.

No primeiro dia eles cantam, pulam, se juram amigos e fazem promessas coletivas de “vamos fazer o melhor BBB! UHUUUUUUUU!”. Sempre tem um pra gritar: “Sem briga, galera! Na paz! Temos que dar exemplo pro Brasil!”.

Todos os demais, imediatamente, seguindo a mania pouco normal da juventude atual, gritam: “Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!”, que traduzindo quer dizer: “Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!”.

Em casa eu penso: “Quando será que vai aparecer um cara pra dizer, no primeiro dia da casa “Ae galera! Vamo fecha o tempo nessa porra porque quem tá em casa quer ver o circo pegar fogo! UHUUUUUUUUU!”?

Todos sentam na mesa e vem aquele jogo de perguntas e respostas pra se conhecer melhor. É sensacional!

“Eu odeio falsidade”, diz a primeira.

“Quer me ver puta? Gente falsa. Ahh… eu não suporto!”, diz outro.

“Eu odeio fofoca. Acho que quer falar? Fala na cara, sabe…”, diz outra topeira.

E eu, sonhando em casa com um que vai colar dizendo: “Porra, me amarro em falsidade. Não falo na cara, faço joguinho e acho que vocês estão confundindo isso com o Parque da Monica”.

Seria meu ídolo.

Começam as sondagens pra saber a situação amorosa de cada um.

A gostosa diz: “Tô solteiríssima!” E a turma: “Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!”

A feinha diz: “Eu to livre”. E um, normalmente viado, grita: “Uhuuuuuuuuuuu!”, sem companhia.

Até que passam os dias, eles vão se conhecendo e achando que são melhores amigos ha 10 anos.

O primeiro chora, e logo surge alguém que nunca viu o cara na frente pra dizer: “Cara, você é guerreira! Sabe quantos queriam estar aqui? Tipo, você já é uma vencedora!”.

Hã?

Vem o paredão e o confessionário me faz mudar de canal. São 14 caras que entram lá pra dizer: “Porra, adoro essa pessoa, mas é por afinidade, sabe? Já que tem que votar, vai no XXXXXX. Mas ó! Adoro ela!!!!”.

Vou sair comemorando nu na varanda quando alguém disser: “Eu voto no Ciclano porque acho ele um cu!”

Ah que beleza seria. Mas não será.

Eu me divirto. Não exatamente com o que eles falam, mas pensando no que eu gostaria que eles falassem.

Quando um emparedado fica, ao invés de gritar “Obrigado Brasiiiiiiiiiiiiil!” no jardim, espero sempre que ele vá até a porta e grite: ‘Chuuuuuuuuuuuuuuupa Ciclano!” pro que saiu.

Mas eles são muito previsíveis.

abs,
RicaPerrone

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sobre ganhos e gastos

Uma vez, em uma conversa com meu irmão e com meu pai, não sei porque o assunto estava em planejamento financeiro, e em algum momento eu falei "pois é, porque sempre se deve ganhar mais do que se gasta...". E eles me olharam com uma cara esquisita, e um deles respondeu "não né, é o contrário, gastar menos do que se ganha", no qual o outro, no mesmo momento, concordou. Claro, a curto prazo, em qualquer planejamento financeiro tem-se muito mais controle sobre o quanto se gasta do que quanto se ganha; a variável "ganhos" é incontrolável: você tem o seu salário, ou o quanto a sua empresa consegue faturar, ou quantos clientes você tem etc - embora você sempre esteja fazendo esforço para aumentar a sua renda, os resultados serão sempre indiretos e a longo prazo. Agora, sobre os seus gastos você pode atuar da maneira que bem entender.
Mas não foi bem aquilo que eu quis dizer - talvez não tivesse a ver com a conversa do momento, mas era uma idéia que estava na minha cabeça. Tratando-se de filosofia de vida - e não de planejamento financeiro puro e simples - acho que a gente não lida com essa questão de ganho x gasto de uma maneira adequada. A maneira mais comum de se lidar com essa questão é como se a variável "ganhos" fosse a variável indepedente (a qual você não controla, cujo resultado será sempre um dado para você) e a variável "gastos" fosse a dependente, ou seja, a que deverá ser ajustada conforme a primeira variável. Dependendo de quanto eu ganho, eu decido quanto gastar. Faz muito sentido - e aliás, quem não faz isso, deve estar com sérios problemas financeiros! - mas acho que isso gera um problema, embora óbvio, pouco visível.

Acho que meus avôs tinham muito medo de passar fome; de a situação econômica deles se deteriorar a tal ponto de não ter comida para por na mesa. Não era um medo particular deles, era o medo de toda uma geração de um país onde muito poucos eram "doutores" e a imensa maioria era uma grande classe média baixa. 40 anos de crescimento econômico depois, existem muitas diferenças no horizonte econômico que a minha geração está inserida. (Claro que, num país como o Brasil, altamente desigual, existem diferenças de horizontes gritantes de acordo com a classe social - aqui estou me referindo à classe social na qual eu e a maioria dos meus amigos está inserida). O risco de "passar fome" é muito menor do que era no passado; há uma classe média pujante no Brasil. Pessoas com uma boa formação, em faculdades de primeira linha, falando uma ou duas línguas estrangeiras, com alguma experiência em uma ou duas funções, e com disponibilidade de trabalhar, dificilmente vão passar fome. Há crises econômicas, há desemprego para trabalhadores de mais idade, sim, há isso tudo; o que estou querendo dizer é que o risco que esse grupo de pessoas está exposto não é o de total aniquilamento econômico - passar fome, ir morar embaixo da ponte. É o risco do fracasso; é o risco de não ser bem-sucedido, de ganhar pouco e contar os centavos no final do mês, de ter dificuldade de pagar o colégio dos filhos, de não fazer viagens de férias legais, de ficar 10 anos sem poder trocar de carro. Quando alguém dessa classe se mata para se qualificar melhor para o futuro, lambe o saco do chefe para ficar bem na foto e toma outras atitudes para "preservar a carreira", é nisso que está pensando. Esse medo pode vir até camuflado do medo de perder o emprego e nunca mais arrumar outro, mas no fundo esse não é um medo realista - já o medo de demorar 2 anos para arrumar algo e ter que aceitar um emprego ganhando metade do que ganha hoje, sim. Uma brincadeira entre minha irmã e eu é que "se tudo der errado, eu presto concurso público" - e no final, essa é uma saída mesmo - para quem uma boa formação e sempre esteve acostumado a estudar é mais fácil.

Isso tudo para dizer que, para a maioria das pessoas que eu convivo, a busca de melhoria financeira é muito menos uma necessidade primária e mais a busca de mais conforto - não, por isso, menos válido. E aí, voltando para o começo da conversa, o gasto vai sempre acompanhando o aumento gradual do ganho. Quantas vezes você não já viu - ou viveu - aquela situação: a pessoa tem aumento de salário, nos primeiros 2 meses é uma beleza, mas no terceiro mês já aumentou seu gastos proporcionalmente e continua não sobrando nada no final do mês? Meu gasto está totalmente balizado pelo meu ganho - para cima, que é absolutamente compreensível, mas também para baixo: porque gastar menos se eu posso gastar mais? Se ganhar dinheiro segue a lógica do "quanto mais melhor", e o gasto vai sempre acompanhando a renda, então "quanto mais ganho, mais gasto". Um raciocínio que eu mesmo já usei muitas vezes é aquele do "ah, é para isso que eu trabalho tanto" para justificar um consumo (uma roupa, um restaurante mais caro) fora do meu nível de consumo habitual. O ser-humano se habitua a qualquer coisa, mas se habitua mais rapidamente ao que é confortável - rapidamente você já está habituado aquele nível de conforto que o seu nível de renda atual consegue proporcionar.

Agora, o quadro está completo: o sujeito começou a sua vida profissional da maneira que todo mundo começa - por exemplo, arrumou um estágio enquanto fazia a faculdade. Foi indo, em algum momento foi efetivado, ficou feliz com seu salário aumentado. Mudou de empresa, foi promovido, gradualmente sua renda foi melhorando e, naturalmente, o nível de consumo acompanhou a melhora da renda. No começo alguns aumentos de gastos tinham aquela lógica do "é para isso que eu trabalho", depois foi se acostumando com aquele padrão de consumo.Só conseguia aguentar a volta para casa depois de 10h de trabalho porque seu carro era novo e confortável. Vestir aquele terno legal e sentir-se bonito / importante compensava um pouco o mal-estar. Jantar em um bom restaurante tomando um bom vinho trazia uma alegria que dava ânimo para continuar. Em suma, o padrão de consumo passou a ser o que fazia o sujeito suportar o desgaste do trabalho. Só que, ao passar do tempo, o que era consequência passa a ser causa: trabalha-se para manter aquele padrão. Quando o sujeito sente-se cansado e cogita a idéia de tentar uma mudança, todo aquele padrão cristalizou-se e ele acredita, piamente, que precisa daquilo tudo para viver. O que iniciou-se como uma recompensa passa a ser premissa.

Eu sei que é utópico, extramamente hipotético. Mas a dinâmica renda x outros fatores poderia ser sim uma via de influência recíproca. Todo mundo quer ganhar mais; mas se meus gastos estão estabelecidos pelo que faz sentido para mim - e não pelo "quanto mais melhor", fica mais fácil dosar melhor o quanto de esforço e sacrifício está sendo feito por aquele dinheiro.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bush x Obama?

Por ocasião da visita do Obama ao Brasil - toda a pompa, entusiasmo da pessoas etc - e, em comparação à visita de Bush tempos atrás - onde o que mais se via eram manifestações de repulsa - vem uma pergunta: porque nós, brasileiros, de forma geral, gostamos tanto do Obama e odiamos tanto o Bush?

Eu, particularmente, gosto do simbolismo que a eleição do Obama carrega: é significativo que os EUA tenham eleito o primeiro presidente negro de sua história - com um bônus do fato dele ter ascendência arábe. Além disso, Obama é 3x mais carismático que Bush; tem aquele magnetismo pessoal e a capacidade de encantar platéias que figuras como o Lula têm - embora o americano tenha muito mais preparo e formação intelectual do que o brasileiro, pois se fosse diferente os EUA nunca o teriam eleito. Também não tenho nenhuma simpatia por Bush e, ademais, na minha ignorância de quem conhece as coisas por um elemento aqui e outro ali, acho que fez um governo apenas mediano. Diferenças essa a parte, do ponto de vista de uma nação estrangeira avaliando um governante de outro país, cabe fazer análises objetivas.

Há uma tendência de aproximação, em termos de política externa e comercial, entre Brasil e EUA - mas me parece que essa aproximação deve-se muito mais a uma sinalização da presidente Dilma de alterar o eixo da política externa brasileira do que de uma "boa vontade" do governo americano. No aspecto de política comercial, nada mudou e, provavelmente, nada mudará - Obama, mesmo que quisesse, teria pouca força para mudar as regras de subsídios que tantam atrapalham nossas exportações para lá. Bush era odiado mundialmente, em especial, pela invasão do Iraque. Obama ainda não teve a oportunidade de lidar com uma situação externa tão complexa quanto a que se seguiu após 11 de Setembro; nas ocasiões que apareceram nos dois últimos anos, o que vimos foi uma atuação um tanto atrapalhada: Honduras, Wiikleaks, Egito e, agora, Líbia. Esse desconforto parece vir do fato de Obama ter que sambar com dois ritmos ao mesmo tempo: a obrigação de "ser diferente", onde toda a sua campanha foi embasada, e a realização de que a função de presidente da nação mais poderosa do mundo traz complexidades acima do que pode-se imaginar. Por exemplo: fechar Guantánamo era uma plataforma de campanha que teve de ser, na melhor das hipóteses, postergada, pela complexidade (ou pela falta) da solução.

A realização de que Obama pode ser uma casca mais bonita do que eficaz pode estar acontecendo ao povo americano - vide o resultado das últimas eleições, onde os democratas tomaram um verdadeiro cacete. Bom, mas ele não fez nada de bom? Tem a aprovação do sistema de saúde, que do ponto de vista humanitário e de uma sociedade menos cruel, faz todo o sentido - mesmo que contrarie aspectos muito profundos da filosofia de vida americana. Mas não deixa de ser curioso que um povo como o brasileiro, que elegeu para mais quatro anos um grupo político que, nos últimos anos, tratou a saúde pública com verdadeira incompetência, aprecie um governante estrangeiro pelos seus avanços no campo da saúde.

Sendo assim, porque Bush era o diabo e Obama parece ser algo próximo de Deus? Não são, ambos, expressão de uma série de aspirações do mesmo povo americano, em um dado momento? A resposta que me parece mais clara é o fato de que, política, em especial no Brasil, é um exercício mais de paixão e de adoção de tendências da moda do que efetivamente um exercício da razão. No Brasil, é legal ser de esquerda, torcer pelo "socialmente justo" - seja lá o que isso queira dizer. Liberal, hoje, é o que era comunista nos anos 50 - come criancinha, filho do capeta etc. O engraçado é que liberal, nos EUA, é justamente o que muita gente aqui acha bacana - a antítese do conservador, mais identificado com os democratas. Os termos não tem mais sentido em si, adotam o sentido que cada um quiser em cada contexto. Obama é negro, jovem, tem uma linguagem fácil, é carismático - todas características que lhe conquistam votos de confiança e o permitem, ao contrário de Bush, começar o jogo contando com a boa vontade da opinião pública. Mas exercer a função que exerce exige muito, mais muito mais do que isso. Os que temiam que ele não estivesse preparado para o cargo podem estar tendo a confirmação dos seus medos. A averiguar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Godfather

Cena do filme "O Poderoso Chefão" (The Godfather). As cinco famílias da máfia de Nova York estão em guerra. Tudo começou após um atentado à vida de Vito Corleone (Don Corleone), como tentativa de fazer que seu filho Sonny, próximo na escala hierárquica, aceitasse uma proposta de negócios. Enquanto Vito ainda estava no hospital, seus filhos entenderam que a única maneira de proteger a vida do seu pai era matar esse chefe do crime que estava por trás da tentativa de assassinato. Michael, o filho mais novo, encarregou-se da tarefa e, por também ter tido que matar um capitão da polícia que atuava como guarda-costas desse chefe do crime, teve de fugir e se refugiar na Itália. Muitas coisas aconteceram e, quando Vito conseguiu retomar o controle da família, decidiu que sua prioridade seria trazer Michael de volta aos Estados Unidos. Para isso, ele convoca uma reunião com os chefes de todas as famílias para propor a trégua. É essa a cena a qual vou me referir.

Na reunião, pontos de vista são expostos, um quer uma coisa, outro quer outra; para alcançar a "paz", Vito aceita a sua participação nos negócios que, inicialmente, tinha recusado, contrariando, inclusive, seus próprios princípios. Mas negocia seus termos, dizendo que seu filho Michael, que está foragido, está retornando para casa, e ele quer que isso aconteça em segurança. E, com a sua sabedoria, acrescenta (eu não lembrava exatamente as palavras, mas achei melhor copiar o texto como é) "mas eu sou um homem supersticioso; se algum acidente infeliz acontecer a ele - se ele receber um tiro na cabeça de um policial, se ele se enforcar na sua cela da prisão, até se um raio cair nele, então eu vou culpar alguém dessa sala, e isso é imperdoável. Tirando isso, juro pela alma dos meus netos que não serei eu a quebrar a paz que nós estabelecemos hoje".

Lembrei dessa cena em uma conversa que tive recentemente. No contexto do filme, claro que isso tem a ver com o 'modus operandi' da máfia (ou pelo menos com a imagem da máfia que nos chega por livro e tevê): aquela de "fazer as coisas parecerem como acidentes". Vito não podia correr nenhum risco de alguém facilitar, de nenhuma maneira, algo que pudesse causar a morte de seu filho. E ele precisava encontrar uma maneira de deixar isso claro, de tornar todos que estavam naquela sala responsáveis pela segurança do seu filho, sob risco de quebrar a paz que estava estabelecidda - e o fez de forma brilhante.

E o link com essa cena que apareceu na conversa que tive recentemente é o mesmo link que já me apareceu outras vezes. Há situações que realmente não importa a intenção: não importa se a pessoa que fez a cag* quis fazer, se ela só foi descuidada, se ela só teve azar. Tem horas que a gente não tem - ou não pode se dar ao luxo de ter - a energia para descobrir; muitas vezes não é nem possível. Mas se a hipótese mais benevolente para uma pessoa que só faz cag*, ou só se dá mal, é que ela é "muito azarada" - bom, sai com seu azar para lá! Já trabalhei com pessoas assim, já tive "amizades" assim, e é uma m*...tem uma hora que vc não quer saber, e tudo o que você pode fazer é manter distância - assim como Vito Corleone não podia correr o risco de ver seu filho morto para depois tentar descobrir se alguém teve algo a ver com isso. Afinal, "i am a superstitious man...'